O FINAL DE UMA HISTÓRIA... OU O COMEÇO DE UMA LENDA...
Quando surgiu a idéia de escrever esta história sobre a evolução do clube, tentei resumir os fatos, alguns cômicos outros nem tanto. Dentro do mesmo espaço, da mesma localização, teremos uma visão ampla de como foi construído tijolo por tijolo, o que era um simples quintal, hoje transformado em uma casa reconhecida no cenário nacional.
O Quintal
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O pomar, a churrasqueira, a varanda, a grama, a casinha do cachorro, a canoa do Sr. Ivo, a horta, o depósito de badulaques; um quintal, como qualquer outro de uma casa de família. Como toda história começa, “um belo dia”, sem nuvens no céu e um sol de rachar mamona, a minha mãe (Dona Joana), preparava-se para viajar e meu pai (Sr. Ivo), estava no rancho - atmosfera ideal para uma festa. E foi justamente o que aconteceu. Eu, que nesta época, meados de 93/94, já era conhecido como DJ Tonto, resolvi organizar um esquenta no sábado a noite, junto com o grande amigo Daniel (DJ Dany Way), hoje morando em NY. O nome escolhido para a festa foi “Oprah”, totalmente sem significado pra nós naquele momento; saiu de um disco de rock. Foi neste dia que o botão vermelho foi acionado. A festa no quintal ultrapassou a capacidade de pessoas por metro quadrado (risos). Os corredores laterais da casa foram abertos, servindo de suporte, pois havia muita gente (muita gente, mesmo!!!) e não paravam mais de chegar. A muvuca era tão intensa que até o meu pai (Sr. Ivo – um homem sério, sistemático e poliglota), foi requisitado para ajudar no bar, mesmo não tendo noção do que estava acontecendo no momento que entrava na sua própria casa. Não me pergunte como ele aceitou a façanha.
Por volta das 03h da matina, eu saí do som e fui dar uma volta na festa. LOUCURA!!! Para conseguir atravessar o corredor da minha casa, e chegar até a garagem, onde fizemos uma portaria improvisada, demorei aproximadamente 15 minutos! A rua estava lotada. Muitos carros, motos, gente por todos os lados. Não cabia mais ninguém em lugar nenhum (risos). Não tive escolha. Contra minha vontade, pedi para fechar a portaria. As pessoas que ficaram de fora estavam inconformadas de não poderem entrar.
Como não bastasse isso, encontrei meu cachorro solto no caminho de volta. Imaginem um “Fila” (cinza, rajado de preto), caminhando livre, leve e solto, no meio de uma multidão desconhecida. Além disso, havia pessoas caminhando pelo telhado do vizinho, tentando entrar na festa. Foi então, que percebi que a situação estava totalmente fora de controle.
Não hesitei em chamar a polícia. Mais ou menos 04h da manhã, chegou uma única viatura procurando o responsável. Apresentei-me ao oficial e expliquei o que estava acontecendo. O mesmo me pergunta se eu queria realmente acabar com a festa. Ao dizer que sim (para própria segurança do público e da casa), ele imediatamente entrou na viatura e solicitou reforço. E que reforço! Uma cena típica de filme policial. Em poucos minutos chegaram: Quatro Fiats 147, três veraneios (camburões), seis motos CG 125 e o mais engraçado, um micro ônibus (tipo escolar), meio acinzentado com uns 12 homens da tropa de choque. Só faltou mesmo o helicóptero! O quarteirão foi cercado, e o pelotão foi autorizado a retirar todo mundo de dentro da minha casa. Enquanto não saíram todos, eles não deixaram a casa. No dia seguinte, a bagunça era tanta que nem mesmo o cachorro sabia onde ele estava. Para piorar a situação, Dona Joana voltou de viagem um dia antes do previsto... Um caso a parte (risos). O susto foi grande. Mas não demorou cinco meses e eu estava pronto para outra. Só que desta vez, tomei algumas precauções.
Devido à insistência e algumas reivindicações dos amigos, as festas no quintal passaram a ser regulares. Ocorriam mensalmente, mas ainda eram usadas certas dependências da casa, como: garagem, corredor de acesso ao quintal e o banheiro de empregada.
A coisa começou a mudar de figura. Dona Joana vetou o trança-trança pelo corredor da casa.
Tive que achar uma solução ultra rápida, pois como eu iria dar uma explicação plausível para as pessoas, que minha mãe havia proibido o acesso ao quintal. Após alguns dias quebrando a cabeça, estávamos todos sentados na mesa para almoçar, então eu fechei os olhos e disse aos meus pais: - Posso construir uma entrada independente pelos fundos do quintal? (risos).
Após aquele precioso minuto de silêncio, um trocando olhar com o outro, veio à primeira resposta partindo do meu pai: - É... Isso é com sua mãe. Olho para ela com esperança de ouvir um sim, e ela rebate: - Bem, vou fazer o que.
Lá estava eu, com a primeira de muitas outras obras que viriam no quintal. Foi colocado um portão no fundo da casa, e levantada uma parede para limitar o acesso. O quintal estava quase perfeito, faltava apenas um bar e uma cabine de som, ou seja, tudo. O depósito de badulaques foi alvo para virar a cabine de som. A mesa de ferramentas do meu pai serviu para colocar os toca-discos. Não tinha espaço para nada la dentro. Abri um buraco na parede por onde pudesse enxergar a pista e vice versa. Nada foi retirado do depósito. Quanta tranqueira. Desde latas de tinta, até tralhas de pescaria penduradas nas paredes serviam de decoração.
Mais festas foram realizadas, e o dinheiro arrecadado, eu empreendi na construção do bar. O balcão e os bancos foram feitos de materiais reciclados pelo meu amigo e artista plástico André (in memorian). As surpresas continuaram a aparecer, como um dia que choveu. Poucas horas antes de começar uma das festas, fui obrigado a cobrir o quintal com uma lona (que para variar era da barraca de camping da Dona Joana). A partir deste dia, notei que o quintal precisava de um telhado, embora gostasse dele como era.
Meus pais sempre apoiaram, mas não interferiam nas obras. O carpinteiro foi até o local e disse que entregaria o telhado em 2 dias. Eu estava tranquilo, pois a próxima festa aconteceria em uma semana. Logo no dia seguinte, comprei todo material e chamei-o novamente. Quando ele chegou, outra surpresa! Disse que não havia estrutura para suportar o peso do telhado. Entrei em pânico! Sem experiência em construção, sem engenheiro, o que me restou foi recorrer ao próprio carpinteiro que me orientou como fazer.
Mais que depressa, corri até meu vizinho e pedi um pedreiro emprestado. Tivemos que "plantar" algumas colunas de madeira no chão, para poder erguer o telhado. Porém, o tempo de secagem do cimento nas fundações levaria no mínimo quatro dias. Somente no sábado, dia da festa, o telhado poderia ser erguido. Que situação!!!
Os ruídos de serra, martelo, furadeira, começaram antes de o sol raiar. O carpinteiro estava empenhado desde as 5h da manhã. Ao meio dia do sábado, o madeiramento estava pronto, faltando apenas colocar as telhas. Por volta das 16h, o pedreiro finalizava todo o telhado. A noite foi maravilhosa e todo mundo adorou a cobertura nova. Modéstia parte, também gostei.
Eu achava que já tinha resolvido o problema da chuva com a construção do telhado, mas esqueci que a tal entrada independente, que não era coberta. Quando chovia, as pessoas tinham que atravessar cerca de quatorze metros debaixo d'agua, até chegar à parte coberta. A contratação da mão de obra especializada custava caro e não cabia no orçamento. Então, eu com ajuda do amigo Gilbert, resolvemos colocar a mão na massa. Chamei novamente o pedreiro do vizinho e no final de semana, ajudamos a preparar e encher a laje do corredor (lerê-lerê...). Mais um problema resolvido. Outra pedra no caminho: a fila do banheiro. Como só tinha um (que era aquele ainda da empregada), a fila era enorme. Dona Joana, que nessa altura do campeonato já comandava o bar, sugeriu que fosse construído novos banheiros no espaço, para um melhor conforto dos freqüentadores. O quintal aos poucos, estava transformando-se. Como já disse anteriormente, eu não tinha experiência em construção. Passaram pelo quintal pedreiros e mais pedreiros, derrubando e levantando paredes (meu amigo Gilbert que o diga). A mão de obra era desqualificada, logo começaram a aparecer os prejuízos. Quando a obra foi terminada, com o dinheiro investido, eu poderia construir quase duas vezes o mesmo lugar.
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O Som Eletrônico
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Nessa mesma época, eu importava discos para revender. Toda semana, eu tinha música nova para tocar. Acredito que esse foi um dos motivos que cativava cada vez mais seguidores para as festas. No início, o equipamento de som não era dos melhores, mas nunca me deixou na mão. As caixas e os amplificadores eram um pouco ultrapassados. O set up do DJ (que ainda ficava sobre a mesa de ferramentas do Sr. Ivo), era composto por 3 toca-discos Techinics MKII e um mixer Numark DM-1975. A iluminação era fixada nas vigas de madeira do telhado. O nosso eletricista de plantão, mais conhecido como Frederico Mexicano, era responsável por manter toda a parafernália de luz funcionando. Incontáveis vezes, a festa já tinha começado e ele ainda estava pendurado na escada dando os últimos ajustes.
Estrobos brancos e coloridos (tipo farol de milha), vários spots com lâmpadas Par 36, sequenciais rítmicos e quatro tvs de 21" (alugadas de uma locadora de games no sábado), completavam a estrutura transitória do quintal que não era mais quintal.
Vale a pena frisar, a super poderosa máquina de fumaça, que em determinadas horas da festa, não se enxergava um palmo a frente do nariz. Ela parecia um Maverick V8. Gastava muita glicerina na noite. Certa vez, a mesma parou de funcionar. Não sabíamos realmente o que estava acontecendo. Poderia ser desde um simples entupimento até o mau funcionamento da resistência. O amigo Gilbert retirou a bateria do seu próprio celular (Motorola tipo tijolão), pegou um canivete e começou a desparafusar a máquina. Com pedaços de fios descascados e sem nenhum tipo de isolamento, ele começa o trabalho para reanimar a máquina. Eu particularmente não estava acreditando que ela voltaria a funcionar. Mas, para a minha surpresa em poucos minutos a máquina volta a cuspir fumaça. Um resultado bastante satisfatório, digno de feira de ciências. Mas a bateria derreteu nos primeiros minutos.
Os equipamentos foram sendo melhorados aos poucos. Sempre procurando inovar,
realizamos a primeira festa da cidade com raio laser (dentro do quintal). O equipamento era tão desajeitado, tinha um reservatório de água imenso, tomava tanto espaço, mas compensava pelo efeito gerado na pista. As festas não serviam de vitrine apenas para os amigos que trabalhavam com artes plásticas, decoração e moda, mas principalmente de incentivo para muitos DJs, como é o caso do DJ George ACTV. Foi um dos vários artistas a começar a sua carreira como DJ, no aclamado inferninho. A música no começo da noite, nunca foi low-profile. Era sempre pancada do começo ao fim. A festa começava bombando e terminava bombando. Um Techno de qualidade, pesado, acelerado e dançante. A pista em determinados momentos, gritava e assobiava tanto que quase desaparecia com a música. Em certos horários, existiam os famosos blackouts. Duravam cerca de dez a quinze minutos, surpreendendo a pista.
O Público
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Mesmo Uberaba sendo uma cidade pequena e extremamente conservadora naquela época, o quintal tinha um público segmentado, alternativo e fiel.
Tatuados, cabelos coloridos, fantasiados, curiosos, patricias e mauricios, integravam a cena. No quintal, que Não havia discriminação de classe, cor ou sexualidade, contrário do que acontecia nas outras casas noturnas da cidade. Eu mesmo já fui barrado em uma dessas casas simplesmente por que tinha os cabelos coloridos.
Os preços de entrada e mesmo da consumação, eram populares. Não havia tanto interesse em ganhar dinheiro, mas sim de divulgar a cena da música eletrônica no Triângulo Mineiro.
A divulgação era feita em flyers impressos, sem nenhum patrocínio. Ainda não havia ninguém que acreditasse neste tipo de proposta como investimento. A personagem Ilma LSD, uma freira lisérgica, protagonizada pelo querido amigo Donizeti, fazia o corpo a corpo nas principais ruas e avenidas da cidade, entregando os flyers. Este personagem, dentre outros vividos pelo criativo Donizete, como o Gin Tônica Man e a Fada da oficina mecânica, eram presenças essenciais nas festas.
As drags recepcionando, as gaiolas suspensas com os gogo boys e gogo girls no quintal, que mais tarde recebeu o nome de Terra do Nunca, era a visão do inferno para a sociedade uberabense (risos). Ainda assim, com uma visão pioneira e futurista, rompíamos as barreiras do preconceito, valorizando o espaço alternativo destes profissionais. Havia muito respeito entre os convidados. A união entre os frequentadores das festas foi a principal consolidação da cena eletrônica na cidade. Nunca houve briga ou se quer algum mal entendido no quintal. A harmonia entre eles era tanta que não havia necessidade de colocar vários agentes de segurança transitando pelo local.
Quase todas as cidades vizinhas sabiam da existência da Terra do Nunca. Tinha gente de Ribeirão Preto, Uberlândia, Franca, Araxá, entre outras.
A casa era fechada de em seis meses para algumas manutenções e melhorias do ambiente. Certa vez, fui intimado a comparecer no quartel do BPM. Lá estava a Dona Joana, sempre presente acompanhando mais uma empreitada de seu filho.
Chegando lá, fui levado até a sala do coronel. Deparei-me com uma cena não muito usual: ele tinha uma pilha de flyers sobre a sua mesa (sim, ele tinha todos!). No decorrer da conversa, ele me elogiou pela criação dos mesmos. Naquele momento eu não estava entendendo mais nada.
Ele me disse que alguns vizinhos reclamavam da agitação da rua durante os eventos e comentou rindo: "Estas pessoas não tem o que fazer! Deveriam dar graças a Deus do movimento na rua. Pelo menos suas casas estão sendo vigiadas!" Até hoje eu não entendi o significado daquela conversa. (risos)
Após quase três anos de funcionamento, em meados de 1997, o Terra do Nunca, já com a infra-estrutura necessária, teve de parar suas atividades, pois a prefeitura não liberava um alvará de funcionamento. Recorri aos órgãos competentes e nunca recebi uma resposta plausível. Alegavam que, apesar de estar a doze metros da avenida principal, o espaço estava localizado em zona residencial. Veja bem, qual seria a diferença do local estar 12 metros a frente? O barulho seria praticamente o mesmo, o que não era um problema, pois a casa possuía as paredes laterais em forma de sanduíche, duplas e com um espaço ao meio, gerando o vácuo. Da pista de dança até a rua, foram colocadas três portas isolantes para reter os ruídos. Além disso, contava com extintores e saída de emergência. A prefeitura não se queixava de barulho, nunca houve uma ocorrência policial. Mas ainda assim, não liberava o alvará. Estava inconformado, pois, não havia um "porque" de bloquear o funcionamento da casa. Seria um estabelecimento como qualquer outro. Estaria pagando seus impostos, teria seu CNPJ e, sem falar na geração de empregos diretos e indiretos. Cheguei a propor até horário de funcionamento. Mas, todo esforço foi em vão. As festas na Terra do Nunca pareciam estar chegando ao fim. Eu (DJ Tonto) fiquei temporariamente proibido de realizar eventos regulares na casa.
Do ano de 1997 a 2001, o espaço ficou fechado. Eu vendi todo o equipamento de som e luz e me mudei para São Paulo neste período. O único evento realizado na casa era o Natal Eletrônico, sempre na madrugada do dia 24 para 25 de dezembro. Todos questionavam por que a casa não abria mais. Este mesmo questionamento foi feito por um grande amigo, que hoje é considerado o padrinho da casa, DJ Patife. Ele achou um desperdício um local tão interessante estar parado e sugeriu a reabertura imediata do clube. Lembro-me como se fosse ontem, ele comparando o espaço com o Bar Rumba de Londres. Fiquei absolutamente sem palavras. Como o local estava fechado a muito tempo, aquela famosa gariba foi executada. Achei que uma simples limpeza resolveria o problema. Mas não era bem isso. Muitas telhas quebradas e várias infiltrações nas paredes. Mesmo assim fizemos a festa de comemoração do seu aniversário. Ao terminar seu set, Patife pega duas taças e uma champagne, atravessa a pista lotada, caminhando em direção ao bar. Ele entrega a Dona Joana
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(Mama Tonto) uma das taças e faz o brinde da noite. Ela quase teve outro infarto! No dia seguinte, a caminho do aeroporto, ele me disse que gostaria de retornar para tocar no clube, mas que desta vez, gostaria de entrar pela porta da frente. Depois de tantos anos com o espaço fechado, este foi mais um desafio que aceitei. Passei uma temporada morando em Londres e na Escócia. Retornei a Uberaba já com este propósito e coloquei a mão na massa. Neste período, a casa já contava com aliados e adeptos ao movimento, como a Cia da Batata, do grande amigo e companheiro Mazinho (in memorian). Realizamos vários eventos juntos, inclusive eventos de cunho social, com arrecadação de alimentos e materiais escolares para a Maternidade Beneficência Portuguesa, Associação de Voluntários do Combate ao Câncer. Outro grande apoio e incentivo, veio do amigo Rodrigo Tubaraum, que segurou a bronca por muitos anos.
Em 2006, o espaço foi reconhecido e liberado legalmente para o funcionamento. Diante de um histórico concreto e um projeto preciso e audacioso, em junho de 2008, o espaço foi reestruturado. Esta foi a última reforma do quintal, que hoje é conhecido como INCASA CLUB. Desde então, o DJ Patife não parou mais de entrar pela porta da frente.
Agradeço ao Senhor Jesus Cristo todo poderoso, por ter permitido e iluminado essa trajetória.
Todo o meu respeito e gratidão a minha mãe e meu pai pelo apoio e confiança. E de um modo especial, a todos aqueles que fizeram e que fazem parte desta história.
+confira as fotos no nosso arquivo
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TERRA DO NUNCA
Biggest Tune
Mike Dearborn - Black Circles E (Djax)
CJ Boland - Camargue (R&S)
Misjah and Tim - Access (X-Trax)
Josh Wink - Higher State of Consciousness (Strictly)
Emmanuel Top - Rubycon (Dance Opera)
Joey Beltran - Energy Flash (R&S)
Human Resource - Dominator (R&S)
The Aloof - On a Mission (Cowboy)
Lemon Interrupt - Dirty (Junior Boy's On)
Sabres of Paradise - Wilmot (Warp)
Jaydee - Plastic Dreams (R&S)
Underground S. of Lisbon - Dance With Me (Tribal)
Moby - Next is the E (Instinct)
Galaxy to Galaxy - Hi Tech Jazz (UR)
Probe - Hulabaloo (Limbo)
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